Um novo data center na área da PJM não vai, por enquanto, entrar na rede mais cedo por aceitar ser o primeiro a ser desligado. Em 9 de outubro a Federal Energy Regulatory Commission (FERC) rejeitou o núcleo do plano da PJM Interconnection para a conexão de data centers e outras grandes cargas, informou a Utility Dive em 12 de outubro. A FERC aceitou duas partes do pedido: a definição de grande carga proposta pela PJM e um registro dessas cargas. O restante, incluindo o Interim Resource Adequacy Service e as regras para trazer a própria capacidade nova, foi recusado.
O que a PJM pediu
O Interim Resource Adequacy Service, ou IRAS, era o centro da proposta. Uma grande carga poderia se conectar sem nova capacidade de geração correspondente, desde que aceitasse ser cortada antes de uma emergência na rede. As regras complementares tratavam das cargas que trazem a própria capacidade nova. O que sobra é mais restrito: grandes cargas são instalações de 50 MW ou mais, e a PJM manterá um registro com a localização, o cronograma de aumento de carga e o suprimento de capacidade de cada uma.
A objeção da FERC foi sobre quem decide. Para a comissão, várias disposições impunham obrigações diretamente às novas grandes cargas, em sua maioria consumidores de varejo; definiam quais consumidores de varejo seriam cortados; e o mecanismo de compensação equivalia a fixar uma tarifa de varejo. Isso invade a competência dos estados sobre tarifas de varejo e parece discriminar as grandes cargas, disse a comissão, que incentivou os estados a continuar o trabalho sobre quem deve ser cortado.
O comissário David Rosner escreveu um voto concorrente. Ele alertou que excluir as cargas IRAS da curva de demanda do leilão de capacidade poderia distorcer o mercado, com a PJM indicando sobra de capacidade enquanto milhares de megawatts são cortados involuntariamente. Na visão dele, data centers não críticos deveriam ser cortados antes de residências, hospitais e escolas, mas a ordem de prioridade cabe aos estados, e o corte só deveria vir depois de esgotada a resposta voluntária da demanda.
Uma semana de margens apertadas
A decisão veio cerca de cinco semanas depois de a FERC rejeitar partes centrais da proposta da PJM de contratação de reserva. Quatro dias depois entrou em vigor a ordem 202-26-50 do Departamento de Energia, válida de 13 a 16 de outubro; segundo a Microgrid Knowledge, ela permitia à PJM recorrer à geração de backup de grandes instalações como último recurso antes do nível de alerta de emergência mais grave (falamos da ordem aqui). A mesma reportagem estima em cerca de 70 GW os novos pedidos de grandes cargas esperados pela PJM até 2038, contra 15 GW de geração perdidos desde 2022 e um déficit de 6,8 GW em relação ao requisito de confiabilidade de 2028/2029.
A PJM diz que está analisando a ordem e como atender às exigências da FERC respeitando o papel dos estados. Analistas da Jefferies esperam preços de capacidade altos por mais tempo e consideram possível a volta de uma proposta levemente revisada, provavelmente liderada pelos estados, com Ohio e Pensilvânia como os estados a acompanhar.
O corte ainda precisa cair em algum lugar
Para quem especifica sistemas de energia de backup na área da PJM, a ordem muda o endereço, não a pergunta. Um data center cortado continua funcionando com seus próprios grupos geradores ou para, e ninguém que constrói para cargas de IA conta com parar. Venha a regra de uma tarifa federal ou de uma comissão estadual, ela termina no mesmo ponto: mais horas em grupos comprados para emergências e uma licença de emissões atmosféricas que precisa permiti-las.
O registro é a parte garantida. Localização, cronograma de aumento de carga e suprimento de capacidade ficarão registrados na PJM, e as regras estaduais de corte, quando vierem, serão escritas com base nessa lista. Vale revisar agora os limites de horas de operação na licença de uma instalação e o seu esquema de combustível, enquanto os estados ainda redigem.
Fontes: Utility Dive, Microgrid Knowledge