AEP, X-energy e Amazon estudam usina nuclear de 960 MW em Indiana

Um antigo local de usina a carvão no condado de Sullivan, em Indiana, é o próximo lugar onde a Amazon quer ver pequenos reatores. A American Electric Power e a X-energy assinaram em 19 de outubro um acordo de desenvolvimento conjunto para estudar uma usina de até 960 MW em terreno da AEP, na antiga usina de Breed ou perto dela. A Amazon fornecerá recursos de desenvolvimento e pretende comprar a eletricidade por meio de um contrato de longo prazo, segundo as empresas.

Doze reatores em três blocos

O projeto usa o Xe-100 da X-energy, um reator de alta temperatura refrigerado a gás de 80 MWe que utiliza hélio como refrigerante e combustível de partículas TRISO. Doze unidades seriam agrupadas em três blocos de quatro, 320 MW por bloco, informa a POWER. Breed pertencia à Indiana Michigan Power, subsidiária da AEP que também opera a usina nuclear Cook, de 2.278 MW, em Michigan; é dali que viria a experiência de operação nuclear da AEP.

A X-energy descreve o aporte da Amazon como vinculado a marcos. Segundo a AEP, o contrato de compra de energia cobriria os custos e a operação da usina durante sua vigência, de modo que os clientes atuais não arcariam com o risco do projeto; a Amazon associa o acordo ao Ratepayer Protection Pledge da Casa Branca, pelo qual afirma pagar o custo total de atender seus data centers. Indiana é o segundo projeto da colaboração entre Amazon e X-energy, que mira mais de 5 GW de nova capacidade nuclear nos EUA até 2039. No projeto Cascade, da Energy Northwest, em Washington, a Amazon tem direitos sobre o primeiro bloco de 320 MW; em Indiana, a intenção de compra declarada abrange todos os 960 MW.

O que ainda não tem número

Trata-se de um estudo de viabilidade, e o comunicado diz abertamente que o trabalho pode não sustentar a continuidade. A construção só viria após uma decisão final de investimento, para a qual não há data. Custo de capital, valor do aporte da Amazon, prazo e preço do contrato, estrutura societária e o caminho de licenciamento junto à NRC não foram divulgados, observa o MGRID. A primeira usina da X-energy, quatro unidades no complexo Seadrift da Dow, na costa do golfo do Texas, está na fase final da análise da licença de construção pela NRC.

O anúncio encerra uma semana movimentada para a AEP. Em 13 de outubro, a Mainspring concordou em fornecer até 1,6 GW de geradores lineares, e em 14 de outubro a AEP anunciou cerca de US$ 4 bilhões para um projeto de células a combustível da Bloom Energy de 702 MW em Wyoming que atende o Google.

Dois horizontes na mesma concessionária

Colocados lado a lado, os três anúncios deixam a distância evidente. Geradores lineares e células a combustível estão sendo contratados para os próximos anos; uma frota de reatores sem decisão de investimento pertence a uma década posterior. Os data centers que um dia poderão comprar essa energia serão projetados, licenciados e comissionados muito antes, e cada um continuará precisando de seus próprios grupos geradores de backup para o dia em que o suprimento de entrada cair. Um contrato nuclear não muda essa parte do trabalho. O combustível que passa anos nos tanques entre partidas reais continua precisando de cuidado, e as horas de teste continuam tendo de caber na licença de emissões.

Fontes: X-energy, POWER, MGRID

Outras Notícias